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O Amor como vigilância: Desejo e Poder em "Ruth", de Lou Andreas-Salomé

Valéria Ceranto Ribeiro

Autor
Valéria Ceranto Ribeiro
Revista
PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
Edição
16 / 38
Ano
2025
DOI
10.26694/pensando.vol16i38.6942
Páginas
169-174
Idioma
pt
2025Valéria Ceranto Ribeiro. O Amor como vigilância: Desejo e Poder em "Ruth", de Lou Andreas-Salomé. PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA, v. 16, n. 38, p. 169-174, 2025.5

Lançado originalmente em 1895, e agora disponível em português na primorosa tradução de Inês Lohbauer (Editora Meia Azul, 2025), o romance Ruth, de Lou Andreas-Salomé, articula literatura, filosofia e crítica social ao explorar os vínculos entre afeto, formação e dominação. Por meio da relação entre uma jovem órfã e seu tutor ilustrado, a obra revela como o discurso do cuidado opera como técnica de normatização subjetiva, moldando desejos e interditando resistências. Narrado com contenção estilística e densidade psicológica, o romance antecipa debates da crítica feminista contemporânea — como a performatividade de gênero, a pedagogia do consentimento e o poder pastoral — e propõe uma forma de resistência marcada pela recusa ao reconhecimento. Esta resenha propõe uma leitura filosófico-literária da obra, ancorada na psicanálise, na teoria crítica e nos estudos de gênero, destacando sua atualidade como crítica estética e política às formas sutis de tutoria afetiva e disciplinamento da subjetividade feminina.