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O belo, o feio e o grotesco feminino no digital: tensões estéticas e regulação do corpo em A Substância

Daniela De Azevedo, Andrea Cristina Versuti, Giovana Scareli

Autor
Daniela De Azevedo, Andrea Cristina Versuti, Giovana Scareli
Revista
Educação e Filosofia
Edição
39
Ano
2025
DOI
10.14393/REVEDFIL.v39a2025-77606
Páginas
1-41
Idioma
pt
2025Daniela De Azevedo, Andrea Cristina Versuti, Giovana Scareli. O belo, o feio e o grotesco feminino no digital: tensões estéticas e regulação do corpo em A Substância. Educação e Filosofia, v. 39, p. 1-41, 2025.3

Este artigo explora as relações entre o belo e o feio, buscando compreender como o grotesco opera como uma categoria estética autônoma que se reconfigura no ambiente digital. As principais perspectivas filosóficas sobre o belo e o feio, partindo da Filosofia Clássica e avançando até os debates estéticos contemporâneos, fundamentam a compreensão de como o grotesco se estabelece como uma linguagem que tensiona os limites entre ordem e disformidade, harmonia e ruptura. No contexto digital, essa estética se manifesta, dentre outras formas, em imagens grotescas do feminino, que questionam padrões hegemônicos de beleza e convenções culturais. O filme A Substância (2024), dirigido por Coralie Fargeat é utilizado como objeto de análise para examinar essas dinâmicas, fundamentando-se em conceitos como o realismo grotesco (Bakhtin, 1987), o corpo grotesco feminino (Russo, 2000) e o corpo abjeto (Kristeva, 1982). Os resultados apontam que o grotesco feminino no digital oscila entre contestação e reprodução de normas, revelando tensões entre subversão e conformidade. Ao articular o grotesco com a educação estética, a análise evidencia seu potencial crítico, levando o espectador a refletir sobre os mecanismos de opressão que moldam o corpo feminino na contemporaneidade. Palavras-chave: Filosofia; Educação Estética; Artes no Digital; Realismo Grotesco. The beautiful, the ugly and the feminine grotesque in the digital: aesthetic tensions and body regulation in The Substance Abstract: This article explores the relationship between beauty and ugliness, seeking to understand how the grotesque operates as an autonomous aesthetic category that is reconfigured in the digital environment. The main philosophical perspectives on beauty and ugliness, from Classical Philosophy to contemporary aesthetic debates, provide the foundation for understanding how the grotesque emerges as a language that destabilizes the boundaries between order and deformity, harmony and rupture. In the digital context, this aesthetic manifest itself, among other forms, in grotesque representations of the feminine, which question hegemonic beauty standards and cultural conventions. The film The Substance (2024), directed by Coralie Fargeat, serves as the central object of analysis in examining these dynamics, drawing on concepts such as grotesque realism (Bakhtin, 1987), the female grotesque body (Russo, 2000), and the abject body (Kristeva, 1982). The results indicate that the feminine grotesque in digital spaces oscillates between contestation and the reproduction of norms, revealing tensions between subversion and conformity. By connecting the grotesque with aesthetic education, the analysis reveals its critical potential, inviting viewers to reflect on the oppressive mechanisms that define the female body in contemporary society. Keywords: Philosophy; Aesthetic Education; Arts in the Digital; Grotesque Realism. Lo bello, lo feo y lo grotesco femenino en lo digital: tensiones estéticas y regulación del cuerpo en La Sustancia Resumen: Este artículo explora las relaciones entre lo bello y lo feo, buscando comprender cómo lo grotesco opera como una categoría estética autónoma que se reconfigura en el entorno digital. Las principales perspectivas filosóficas sobre lo bello y lo feo, desde la Filosofía Clásica hasta los debates estéticos contemporáneos, fundamentan la comprensión de cómo lo grotesco se configura como un lenguaje que tensiona los límites entre orden y deformidad, armonía y ruptura. En el contexto digital, esta estética se manifiesta, entre otras formas, en representaciones grotescas de lo femenino, que cuestionan los estándares hegemónicos de belleza y las convenciones culturales. La película La Sustancia, dirigida por Coralie Fargeat, (2024) se adopta como corpus de análisis para examinar estas dinámicas, basándose en conceptos como el realismo grotesco (Bakhtin, 1987), el cuerpo grotesco femenino (Russo, 2000) y el cuerpo abyecto (Kristeva, 1982). Los resultados indican que lo grotesco femenino en el ámbito digital oscila entre la contestación y la reproducción de normas, revelando tensiones entre subversión y conformidad. Al vincular lo grotesco con la educación estética, el análisis evidencia su potencial crítico, llevando al espectador a reflexionar sobre los mecanismos de opresión que moldean el cuerpo femenino en la actualidad. Palabras clave: Filosofía; Educación Estética; Artes en lo Digital; Realismo Grotesco.   Data de registro: 29/03/2025 Data de aceite: 24/09/2025