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O caminho do poético entre Heidegger e Hölderlin: : a essência abissal do poetar

Lisandra Caroline de Araújo Lima Teixeira

Autor
Lisandra Caroline de Araújo Lima Teixeira
Revista
Trilhas Filosóficas
Edição
14 / 1
Ano
2021
DOI
10.25244/tf.v14i1.3535
Páginas
103-116
Idioma
pt
2021Lisandra Caroline de Araújo Lima Teixeira. O caminho do poético entre Heidegger e Hölderlin: : a essência abissal do poetar. Trilhas Filosóficas, v. 14, n. 1, p. 103-116, 2021.4

O artigo tem por base pensar acerca da análise heideggeriana sobre o poetar e sua essência, partindo, assim, da poética de Hölderlin. Busca-se, então, meditar acerca do sentido próprio do poetar e do papel do poeta na escuta e nomeação do sagrado que vem à palavra. A relação do poeta com o sagrado é o cuidado do acolhimento. O poeta é o intermédio entre os deuses, que trazem os acenos do sagrado, e os homens. Esses precisam do canto do poeta no rememorar de sua pátria mais própria que foi esquecida. A natureza é, na poesia de Hölderlin, o sagrado onipresente que tudo permeia e possibilita a criação. Os poetas pressentem o vindouro que se ausentou e por lhe pertencer o corresponde. Ele acolhe o sagrado na palavra e nomeia seu inaugural. Esse sentido, no poetar de Hölderlin, nos remete ao sentido grego de physis, crescimento do que brota por si. Physis dá claridade a tudo que irrompe, ela está em tudo que se presentifica, é clareira (Lichtung). Como natureza é caos sagrado, caos é abismo, aberto em que tudo é engolido. O abismal é, assim, o sem fundamento do real, da liberdade do romper inaugural...