O cavaleiro metafísico do negativo: a crítica kierkegaardiana à ironia de Solger
Guiomar de Grammont, Aron Barcelos Vilar Guimarães
- Autor
- Guiomar de Grammont, Aron Barcelos Vilar Guimarães
- Revista
- Polymatheia - Revista de Filosofia
- Edição
- 18 / 3
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.52521/poly.v18i3.16344
- Páginas
- e25045
- Idioma
- pt
O presente artigo examina a recepção e crítica de Søren Kierkegaard à ironia de Karl Wilhelm Ferdinand Solger no livro O Conceito de Ironia Constantemente Referido a Sócrates (1841). Na primeira parte, partimos da análise prévia que Hegel faz de seu antigo colega, Solger, reconhecendo nele um cientista comprometido com o desenvolvimento do pensamento especulativo legítimo por meio do uso da ironia, embora sem obter um resultado satisfatório em razão da carência de conciliação com uma dimensão positiva, permanecendo estagnado no âmbito do negativo. Na segunda parte, mostramos como Kierkegaard apropria-se de boa parte da interpretação hegeliana, mas acentuando as consequências existenciais dessa estagnação, reconhecendo em Solger uma “ironia contemplativa”, pertencente ao âmbito metafísico, a qual embora procure uma unidade entre finito e infinito, culmina em acosmismo, panteísmo e permanece incapaz de lidar com a efetividade do existir.
