- Autor
- Tiago Brentam Perencini
- Revista
- Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
- Edição
- 7 / 15
- Ano
- 2015
- DOI
- 10.36311/1984-8900.2015.v7n15.5709
- Páginas
- 135-150
- Idioma
- pt
Este artigo pretende especificar o enunciado no pensamento arqueológico de Michel Foucault. Enfocarei a obra A arqueologia do saber (1969) porque nela se clarifica tanto a noção de saber (savoir), como as especificidades de uma arqueologia enquanto procedimento de pesquisa que escapa as tradicionais formas de epistemologia e de história. O enunciado será o conceito fundamental para pensar a arqueologia como procedimento filosófico de pesquisa, posto que fundamenta a formação discursiva a partir de arquivos. Parto da hipótese de que o enunciado permite à arqueologia não se direcionar como extensão da lógica ou da gramática. Em lugar de se identificar como proposição, frases ou speech acts, o enunciado é uma função de existência que as corta. Nesse sentido, estabelece relações distintas à maneira eminentemente científica. Articula-se (a) com outros domínios de objetos - referencial; (b) na relação com um sujeito - função determinada, vazia e variável; (c) outros enunciados - domínios associados; (d) para aparecer como materialidade possível de ser repetida. Espero que esse artigo possa contribuir para aqueles que se tem dedicado à análise do discurso no interior da obra de Michel Foucault como uma possibilidade filosófica de pesquisa, que cruza demais áreas do conhecimento, como a história e/ou as ciências.
