- Autor
- Denis de Souza Azevedo
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 6 / 12
- Ano
- 2016
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2015v6n12p791
- Páginas
- 791
- Idioma
- pt
O filósofo alemão Max Scheler elabora seu pensamento na tentativa de formular um conceito de “homem” com o qual possa aprofundar sua espiritualidade. Em outros termos, Scheler quer dar ao homem o estatuto de relação primária com Deus. Sendo assim, este pensador, com a pretensão de fazer uma antropologia filosófica, acaba caindo em uma espécie de teologia antropológica, uma vez que o homem é um centro espiritual. O espírito, por sua vez, foge às “intempéries” do mundo orgânico, tornando o homem um asceta da vida. Dessa forma, a antropologia filosófica de Scheler é uma tentativa de definir o homem como um movimento em busca da sua própria divinização. Esta filosofia, que ora se pretende antropológica, ora espiritual, não leva a cabo a tarefa de explicar a hominização. O processo hominizante é obscurecido pela “positivação” de uma forma humana ou de uma forma animal já estabelecidas. Em outras palavras, Scheler trata o animal como um centro biológico aqui-e-agora e o homem como um ser espiritual, sem demonstrar a superação, pelo homem, da animalidade requerida por uma antropologia. Isso exposto, nosso artigo tem o objetivo de mostrar a negligência scheleriana quanto a uma antropologia filosófica frente a uma filosofia espiritualista. Para tal superação, focaremos na fenomenologia merleau-pontyana e do filósofo Étienne Bimbenet.
