- Autor
- KÁTIA MARIAN CORRÊA
- Revista
- Revista DIAPHONÍA
- Edição
- 10 / 3
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.48075/rd.v10i3.34611
- Páginas
- 156-169
- Idioma
- pt
No presente artigo tem-se o principal objetivo de explicitar o fenômeno da escassez apresentando por Sartre em sua obra tardia Crítica da Razão Dialética (1960). Levando em consideração o pano de fundo histórico e marxista que Sartre volta-se na obraem questão, período em sua vida em que foi ativo socialmente, fez parte de movimentos políticos e engajou-se por meio da escrita e de problemas concretos da Sociedade Francesa. Isso reflete-se diretamente em sua filosofia, visto que na Crítica, Sartre volta-se para as relações entre os indivíduos, os grupos sociais, as interações do homem com a materialidade em que se encontram, os principais problemas que encontram, um deles é o fenômeno da escassez, entre outros. Tratando-se especificamente da escassez, essarepresenta um lugar central para pensar a necessidade que existe de antemão do Para-si, por já estar no mundo enquanto um ser faltante. Visto que o mesmo não se trata de um Em-si, com uma essência definida, mas de um projeto a ser constituído, mas nuncafechado, sempre aberto as possibilidades, a contingência e dentro de um contexto histórico. E a escassez é marcada pela falta ou necessidade indissolúvel, a tese principal é de que não há recursos suficientes para todos. Eis uma ameaça iminente e a qual não setem como escapar, a qual o Outro sendo meu semelhante, torna-se um inimigo, pois coloca em questão a minha própria vida e segurança. É nesse sentido que o homem é considerado um não humano, perdendo sua humanidade, perdendo a sua dignidade, emque a coisificação do homem é maior do que sua liberdade, seu senso de responsabilidade. Esse novo sentido que passa a ser desvelado suscita um problema moral, em que é necessário refletir a ordem humana, a fim de que se resgate a humanidade esvaída na Sociedade imersa em consumo, produção, trabalho e bens materiais.
