- Autor
- MIGUEL ATTIE FILHO
- Orientador(a)
- JOSÉ CARLOS ESTEVÃO
- Universidade
- UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2004
A presente tese é um estudo a respeito das relações entre a faculdade intelectual e a alma humana, segundo a estrutura apresentada no Livro da alma de Ibn Sina. No Capítulo I define-se o sujeito da ciência da alma. Esta é afirmada como uma substância que engendra a matéria tomada por receptáculo, transformando-a num organismo. Alude-se ao modo como se dá o início do ser da alma e como é possível, por meio de suas múltiplas ações, identificar e enumerar as faculdades que possui em cada grau. Apresenta-se a clássica divisão aristotélica em três níveis, isto é, vegetal, animal, humana e suas respectivas faculdades. No Capítulo II, estuda-se a divisão da faculdade racional. O intelecto, tomado em seu aspecto teórico e prático é analisado segundo os seus graus: intelecto material, em hábito, em ato, adquirido e sagrado. Focaliza-se, no processo de abstração, a conexão do intelecto humano com a inteligência agente, ícone da teoria do conhecimento de Ibn Sina. Analisa-se o estatuto das formas inteligíveis presentes na inteligência agente e o modo como são apreendidas pelo intelecto humano. A metáfora do Sol. Utilizada como exemplo da iluminação inteligível é apresentada por meio do estudo e da tradução do capítulo V, 5 do Livro da Alma. Estabelecido o solo epistemológico sobre o qual assentam-se as premissas da ciência da alma e do estatuto do intelecto, o Capítulo III se ocupa em verificar as conseqüências que disso resultam. Primeiramente, apresenta-se um itinerário dos modos de apreensão e de abastração do sensível ao inteligível, mostrando como a alma, em sua operação mais essencial, é o próprio conhecimento pelo intelecto. Definido, o intelecto, como uma faculdade imaterial que opera sem órgãos corporais, verifica-se, ao final, as implicações disso no caso de uma possível permanência individual da alma humana.
