- Autor
- Abel dos Santos Beserra
- Revista
- Cadernos Espinosanos
- Edição
- 54
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.11606/issn.2447-9012.espinosa.2026.246053
- Páginas
- 151-184
- Idioma
- pt-BR
O artigo investiga como a noção de excesso constitui uma chave interpretativa que pode ajudar a compreender a negatividade em Descartes. Em vez de considerar que o negativo remete à privação ou à simples negação, propõe-se que ele seja compreendido como produto de uma ação livre do sujeito, fundada tanto no ultrapassamento dos limites do entendimento pela vontade quanto na valoração excessiva dos objetos das paixões. Tal movimento, embora não implique uma falha ontológica, leva a desdobramentos efetivos, na medida em que os desvios e torções da ordem natural imediatamente dada alteram a experiência do sujeito e engendram uma natureza propriamente humana. Esse excesso revela ainda a dimensão histórica e singular do sujeito cartesiano, ao mesmo tempo em que tensiona o seu dualismo substancial. Por fim, cabe assinalar que a análise e discussão recorrem sobretudo às Meditações e ao Tratado das paixões.
