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O Mito da Resistência. Experiência histórica e forma filosófica em Sartre (Uma interpretação de L'être et le Néant)

CRISTINA DINIZ MENDONÇA

Tese
Autor
CRISTINA DINIZ MENDONÇA
Orientador(a)
PAULO EDUARDO ARANTES
Universidade
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO — USP
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2001
2001CRISTINA DINIZ MENDONÇA. O Mito da Resistência. Experiência histórica e forma filosófica em Sartre (Uma interpretação de L'être et le Néant). 2001. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, SP. Orientador(a): PAULO EDUARDO ARANTES.2

Estudo de um clássico da filosofia francesa contemporânea L'Être et le Néant, de Jean-Paul Sartre -, procurando expor a estrutura do livro: uma forma filosófica (ou filosófico-literária) dramática, expressão do próprio material (histórico) que ela recria. O trabalho está dividido em duas partes. A primeira é uma desmontagem da armação filosófica do livro, expondo a gênese de suas principais figuras (a Liberdade e o Tempo). Essa desmontagem, evidenciando o caráter híbrido do material (filosófico, literário e histórico) que sustenta a estrutura de L'Être et le Néant, colocou-nos na pista das relações entre esse Ensaio de Ontologia Fenomenológica (lido tradicionalmente como uma obra de """"pura Metafísica"""") e uma certa construção coletiva (política e literária): o Mito da Resistência no período crítico da Segunda Guerra e da Ocupação da França (verdadeiro divisor de águas na cultura francesa contemporânea, e decisivo o suficiente para definir o perfil de uma """"geração intelectual""""). - Examinar os termos desse reencontro da elaboração filosófica com a matéria viva da história foi o propósito da Segunda Parte do trabalho. Se quiséssemos afinal resumir as relações existentes entre as duas partes deste trabalho, diríamos que a análise da organização interna de L'Être et le Néant levou-nos a descobrir o fio filosófico da obra entrelaçado numa trama histórico-literária. É esse novelo composto de materiais heteróclitos -Husserl, Heidegger, o Hegel de Kojève, sem falar de Malraux, dos clássicos do modernismo americano e de Kafka, tudo isso amalgamado a assuntos da vida cotidiana - que tratamos de desembrulhar. Ao fazê-lo, através do contraponto entre os atributos """"filosóficos"""" da Liberdade e os vários registros """"fenomenológicos"""" em que a experiência crucial da Resistência é recuperada e formalizada, terminamos por identificar o conteúdo de experiência desse que é considerado o mais """"abstrato"""" (e técnico) tratado de Metafísica dos Tempos Modernos, ao menos no âmbito da filosofia francesa.