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O nascimento da psicofísica pelo conatus: plasticidade e circuito do indivíduo em Hobbes

Patricia Costa Martinez

Autor
Patricia Costa Martinez
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
26 / 2
Ano
2026
DOI
10.31977/grirfi.v26i2.5811
Páginas
214-226
Idioma
pt
2026Patricia Costa Martinez. O nascimento da psicofísica pelo conatus: plasticidade e circuito do indivíduo em Hobbes. Griot : Revista de Filosofia, v. 26, n. 2, p. 214-226, 2026.2

O presente artigo investiga a gênese da psicofísica hobbesiana a partir do conatus, demonstrando que esse conceito opera como princípio genético que faz nascer simultaneamente a descrição do indivíduo como corpo senciente e a plasticidade como capacidade de reconfiguração interna pela experiência. A plasticidade de que se trata não corresponde à noção contemporânea de neuroplasticidade nem a qualquer projeção retrospectiva: ela designa, estritamente, propriedades que se deduzem do conatus tal como definido no De Corpore XV — persistência, acumulação e reorganização de movimentos no corpo vivo. A investigação acompanha a diferenciação do conatus em vital e reativo, examinando como o encontro entre pressão externa e movimento vital gera sensação, imaginação, memória, paixões e deliberação. O argumento central sustenta que a plasticidade emerge como consequência necessária do modo como o conatus organiza o circuito que vai do impacto sensorial à ação. O artigo reconstrói essa progressão exclusivamente a partir dos textos de Hobbes — De Corpore, Leviatã, Elementos da Lei, De Homine e Terceiras Objeções —, evidenciando que a mesma estrutura que permite aprendizagem e formação de hábitos permite também erro, loucura e desorganização. A análise demonstra que o circuito psicofísico dissolve o dualismo mente-corpo sem incorrer em reducionismo ontológico, situando o indivíduo hobbesiano como organismo plástico cujas disposições se formam, estabilizam e reorganizam pela experiência acumulada.