- Autor
- Renata Magri Alonge Bonfim da Silva
- Revista
- Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
- Edição
- 12 / 31
- Ano
- 2020
- DOI
- 10.36311/1984-8900.2020.v12n31.p357-382
- Páginas
- 357-382
- Idioma
- pt
Em escritos dos anos 1930, Ernst Jünger expõe um cenário de decadência da então ordem burguesa e anuncia o que seria, segundo ele, o advento de uma nova era expressa pela emergência da mobilização técnica planetária e de uma nova humanidade. O autor celebra a emergente ordem técnica considerando-a a saída de um estágio decadente da história ocidental no qual o indivíduo encontrava-se enfraquecido e privado de condições que o possibilitassem afirmar a sua essencial potencialidade. É nesse sentido que nos deparamos com o niilismo nessas considerações do autor: um niilismo de caráter ativo expresso pelo esvaziamento e esgotamento da configuração de mundo de até então, uma destruição contínua em prol da realização do que o autor denomina de o domínio do trabalhador, um domínio configurado pela ação incisiva de um novo tipo humano que expressa uma nova vontade, pratica uma nova liberdade e leva à ruína todas as valorações e modo de vida do indivíduo burguês. Essa tarefa realiza-se a partir de uma atitude guerreira que afirma o niilismo, o concretiza e tem o potencial de ultrapassá-lo. No presente artigo expomos essa concepção de niilismo ativo, nos atentando sobretudo aos textos A mobilização total e O trabalhador – domínio e figura.
