O povo francês nos escritos políticos de Maquiavel: entre “escolher” viver livre ou viver seguro
Bruno Alexandre Cadete da Silva, Flávia Benevenuto
- Autor
- Bruno Alexandre Cadete da Silva, Flávia Benevenuto
- Revista
- Philósophos - Revista de Filosofia
- Edição
- 31 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.5216/phi.v31i1.85590
- Idioma
- pt
O presente artigo investiga a caracterização do povo francês nos escritos políticos de Maquiavel a partir da possível dicotomia entre viver livre (vivere libero) e viver seguro (vivere sicuro). Tomando como base passagens dos Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio, do Príncipe e dos Escritos Políticos dedicados à França, examina-se em que medida essa oposição permite compreender a singularidade da monarquia francesa no interior da tipologia maquiaveliana das formas de governo. Argumenta-se que a “escolha” entre liberdade e segurança possui função predominantemente “pedagógica”, servindo como instrumento para analisar os limites da vida civil sob um regime monárquico ordenado de modo a limitar as ações do governante. Embora a sujeição do rei às leis assegure estabilidade e contenha a arbitrariedade, a liberdade ali existente distingue-se da liberdade republicana, fundada na participação política e em ordenações capazes de comportar os conflitos entre povo e grandes. Ao aproximar o caso francês do problema da liberdade florentina, demonstra-se que a segurança pode constituir um bem político relevante, mas não equivale à liberdade republicana. A monarquia francesa revela, assim, os limites estruturais dessa forma de governo no pensamento de Maquiavel.
