O PRÍNCIPE EM SCHINDLER: UMA LEITURA POLÍTICO-FILOSÓFICA DA VIRTÙ NA SALVAÇÃO DE JUDEUS DURANTE O NAZISMO
Diêgo Costa Silva
- Autor
- Diêgo Costa Silva
- Revista
- Kínesis - Revista de Estudos dos Pós-Graduandos em Filosofia
- Edição
- 17 / 43
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.36311/1984-8900.2025.v17n43.p107-118
- Páginas
- 452-465
- Idioma
- pt
Este ensaio propõe uma releitura filosófico-política das ações de Oskar Schindler à luz da obra O Príncipe, de Nicolau Maquiavel. Longe de uma análise moralista ou romantizada, argumenta-se que Schindler pode ser interpretado como um “príncipe” maquiavélico que, ciente da instabilidade da fortuna, utilizou a virtù – entendida como capacidade de ação eficaz frente às circunstâncias – para subverter um sistema opressor e salvar centenas de vidas. Schindler, como um “príncipe” em seu microcosmo, empregou a virtù (habilidade de adaptação) e ante a fortuna (oportunidade) para proteger seu “Estado” simbólico, agindo com pragmatismo ético. O texto contrapõe essa leitura a princípios jurídico-morais abstratos e universalizantes, sugerindo que, em contextos-limite como o nazismo, uma ética da ação concreta e estratégica – nos moldes maquiavélicos – mostra seu valor teleológico ao ser capaz de produzir efeitos humanitários reais. O trabalho também dialoga com autores como Viktor Frankl e Jean-Paul Sartre, reforçando a dimensão existencial da liberdade diante da catástrofe. Conclui-se que Maquiavel não defende a crueldade gratuita, mas sim a eficácia adaptativa, que pode servir tanto a fins opressivos quanto humanitários.
