- Autor
- REMI SCHORN
- Orientador(a)
- Eduardo Luft
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL — PUC/RS
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2008
A presente tese, investiga o problema da verdade do conhecimento com o fio condutor do criticismo, explicita o fundamento da proposta epistemológica de Popper, analisa se um coerentismo falibilista generalizado, com teleologia imanente e dinâmica pode ser retirado da sua concepção de verdade ou se deve ser oferecido substitutivamente à fixidez de seu falibilismo restrito que supõem a infalibilidade do teste empírico das teorias científicas. Para tanto, perseguimos o rastro da substituição, sob a influência de Tarski, dos conceitos de aceitação e rejeição, presentes em 1934, por verdade e falsidade. Há a definição da verdade como objetiva, circunscrita ao universo da linguagem e, entretanto, correspondencial: para uma proposição ser verdadeira necessita corresponder aos fatos que descreve. A correspondência ocorre entre proposições de base e proposições universais. A incapacidade de estabelecer um critério para demonstrar a correspondência entre base empírica e teorias científicas leva-o a conceber a base empírica como validada intersubjetivamente com metodologia falibilista e, assim, imaterial. Lakatos sustentou a tese de que os programas de pesquisa são convencionados e o falibilismo é generalizado. Com Neurath a âncora empirista se rompe definitivamente e a teleologia imanente passa a ser subdeterminada, permitindo a contingência. A criticidade continua antídoto ao dogmatismo e tem-se uma epistemologia dinâmica. A distante herança aristotélica emerge validando o princípio de não-contradição como critério de demarcação entre ciência e não ciência na terminologia falibilista. Há uma tese implícita no Popper jovem e presente explicitamente na resposta madura e refletida que oferece aos seus críticos: a verdade como ideal regulativo. A idéia regulativa, substitutiva da correspondência objetiva entre proposição e fenômeno, sustenta a proposta de que o ideal de correspondência deve ser relativizado para permitir teses científicas instigantes, ricas em complexidade e adequadas à perspectiva de uma imaginação criativa, questão relevante na epistemologia racionalista. A idéia de aproximação da verdade denuncia a recuperação da perspectiva indutiva. Para Watkins se uma teoria é mais profunda, mais unificada e mais poderosa preditivamente, ela deve ser aceita, a menos que haja razões para supô-la falsa. Zahar argumenta em acordo com Popper que há uma continuidade entre dois tipos falíveis de conhecimento, o senso comum e a ciência: a ciência é o senso comum em letras maiúsculas, os enunciados observacionais dependem de teorias. Fazendo uso do fundacionalismo e do coerentismo Haack propõe a tarefa de desenvolver o funderentismo, alternativamente à concepção de verdade presente na epistemologia sem sujeito conhecedor defendida por Popper. Para ela, o problema da base empírica de Popper é não somente insolúvel em si, mas, em princípio, insolúvel sem dedutivismo estrito e antipsicologismo. A verdade é indemonstrável, entretanto, é ideal regulativo e instrumento de crítica e a lógica se torna sistematizadora da crítica. O conhecimento tem sua dinâmica nas decisões, critério de satisfação. Entretanto, Popper não percebeu a importância de completar sua epistemologia com uma ontologia relacional. Ele manteve sua posição atomista e supôs a existência e a possibilidade do conhecimento das qualidades independente das relações. Popper poderia ter aceitado as contribuições de Watkins, Zahar e Haack e transitado para o coerentismo falibilista generalizado. Isso daria fim à linearidade de sua filosofia, aumentaria a ênfase na auto-sustentação interdependente das proposições, como propôs Lakatos, para quem, a decisão de aceitar como verdade uma proposição particular ou universal é substancializada pela relação com outras proposições universais e particulares e com a relação para com o mundo. O resultado seria, então, uma epistemologia que vence inteiramente o positivismo.
