- Autor
- Julio Tomé
- Revista
- Revista Kriterion
- Edição
- 66 / 160
- Ano
- 2025
- Idioma
- pt
Após a publicação de A Theory of Justice, em 1971, John Rawls costumeiramente passou a ser lido como um defensor de um tipo de capitalismo mais dócil. Contudo, autores como DiQuattro, Krouse e McPherson afirmaram que a teoria rawlsiana não poderia ser vista como uma apologia do regime capitalista. DiQuattro, primeiro, e Krouse e McPherson, depois, afirmaram que Rawls seria um defensor da democracia de cidadãos-proprietários. O próprio Rawls, em trabalhos posteriores, com destaque para a obra Justice asFairness: A Restatement (publicada em 2001), reconheceu defender a democracia de cidadãos-proprietários. Mas o que seria a democracia de cidadãos-proprietários? O objetivo deste trabalho é justamente apresentar a história do conceito, destacando o fato de ter surgido no berço do partido conservador britânico e posteriormente adentrado as fileiras do partido trabalhista, a partirdos revisionistas. É nesse contexto que se investigará a defesa da democracia de cidadãos-proprietários feita pelo economista James Meade, que Rawls reconhece como sua inspiração. Também se explorarão as diferenças entre o pensamento rawlsiano e aquele defendido por Meade, com especial destaque ao fato de que, na visão do economista britânico, a democracia de cidadãos-proprietários é sustentada como uma alternativa para o capitalismo (i.e., visando uma melhora e uma correção do regime capitalista), enquanto para o filósofo estadunidense ela se apresenta sob a perspectiva de uma alternativa ao capitalismo (no sentido de substituição e superação).
