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O REPUBLICANISMO DE TOCQUEVILLE COMO CRÍTICA AO DESPOTISMO NAS ERAS DEMOCRÁTICAS

Juliano Cordeiro da Costa Oliveira

Autor
Juliano Cordeiro da Costa Oliveira
Revista
PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA
Edição
10 / 21
Ano
2020
DOI
10.26694/pensando.v10i21.8188
Páginas
123-131
Idioma
pt
2020Juliano Cordeiro da Costa Oliveira. O REPUBLICANISMO DE TOCQUEVILLE COMO CRÍTICA AO DESPOTISMO NAS ERAS DEMOCRÁTICAS. PENSANDO - REVISTA DE FILOSOFIA, v. 10, n. 21, p. 123-131, 2020.2

O objetivo deste artigo é investigar o republicanismo presente no pensamento de Alexis de Tocqueville, como crítica ao despotismo nas eras democráticas. Para tanto, seguiremos a leitura interpretativa de autores contemporâneos como Hannah Arendt, Charles Taylor e Jacques Rancière, que destacam, em suas reflexões, a interpretação de Tocqueville acerca da revolução americana, enfatizando os limites e as possibilidade de uma política participativa como crítica a um despotismo emergente na democracia. Tocqueville observa uma tendência, na democracia, de um crescente individualismo moderno, junto com a perda dos laços comunitários, essenciais para a vida pública. Ele mostra-se preocupado com a indiferença pela política enquanto participação da sociedade nas decisões, havendo o perigo de uma nova, especificamente moderna, forma de despotismo. Não será uma tirania do terror e da opressão. O governo poderá até se manter com eleições periódicas. Porém, tudo poderá ser governado por um enorme poder tutelar sobre o qual o povo terá pouco ou nenhum controle. Esse tipo de servidão regrada, doce e calma pode perfeitamente se estabelecer nas democracias. Somente com uma cultura de participação política, através de associações comunitárias, em vários níveis do poder, poderemos, diz Tocqueville, combater o despotismo crescente na democracia.