O RETRATO DE ROBESPIERRE: (IN)APROPRIAÇÕES DO IDEÁRIO ILUMINISTA NA OBRA DE GUILHERME PETERS
Lilian Cristina Monteiro França
- Autor
- Lilian Cristina Monteiro França
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 3
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2026v3n3p287-302
- Páginas
- 287-302
- Idioma
- pt
Este estudo procura analisar as apropriações ou (in)apropriações do ideário Iluminista por parte do artista plástico brasileiro, contemporâneo, Guilherme Peters, que utiliza o discurso e as ações de Maximilien Robespierre, bem como dos desdobramentos da Revolução Francesa. Inicialmente é feita uma discussão acerca do período do Terror (1793-1794) à luz dos debates clássicos filosóficos e historiográficos, a partir de autores como Soboul, Furet, Gauchet, Žižek e Ginsburg. Num segundo momento estabelece-se uma discussão acerca da iconografia do período jacobino, especialmente com a obra A Morte de Marat, de Jacques-Louis David, a arte engajada e um paralelo com a iconografia da Inconfidência Mineira (1989), por meio da obra Tiradentes esquartejado, de Pedro Américo. A análise do trabalho de Guilherme Peters foi feita a partir da observação do uso dos deslocamentos históricos, de estratégias de repetição, de instabilidade e traços de desgaste na imagem, como metáforas do esgotamento dos projetos revolucionários, procurando evidenciar a dificuldade contemporânea em reinscrever a estrutura revolucionária como horizonte político transformador em meio a um contexto de crise das instituições de democráticas.
