- Autor
- Fabrício Pizelli
- Revista
- Sofia
- Edição
- 15 / 2
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.47456/sofia.v15i2.52328
- Páginas
- e15252328-e15252328
- Idioma
- pt-BR
O presente artigo investiga o estatuto do riso e do risível no pensamento de Jean-Paul Sartre, com o objetivo de posicioná-los e esclarecê-los na economia argumentativa da obra sartriana. Parte-se da hipótese de que o riso, em Sartre, constitui um fenômeno passível de descrição fenomenológica, distinguindo-o do cômico, o qual consideramos sobretudo como estrutura formal e estilística da obra romanesca. A análise demonstra, em primeiro lugar, que a tematização explícita do riso emerge tardiamente em L’idiot de la famille, mas reencontra problemas centrais já formulados em L’être et le néant, sobretudo aqueles ligados à intencionalidade, à alteridade, ao ser-para-outro e à constituição do psíquico. Procura-se demonstrar que o riso deve ser compreendido como uma atividade passiva de defesa, desencadeada pela apreensão de uma conduta que ameaça uma determinada representação histórica da “pessoa humana”, produzindo a dessolidarização e a objetivação do outro como ser risível. Além disso, o artigo sustenta que o riso possui uma estrutura serial, uma vez que se propaga por contaminação afetiva e constitui momentaneamente uma “sociedade do riso”. Por fim, argumenta-se que o riso comporta uma dimensão política decisiva: ao excluir, rebaixar e desumanizar, ele pode operar como instrumento conservador, normativo e, em certos casos, violento.
