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O Silêncio de Bachelard: A recusa do político como ato político

Gustavo Bertoche Guimarães

Autor
Gustavo Bertoche Guimarães
Revista
Veritas (Porto Alegre)
Edição
70 / 1
Ano
2025
DOI
10.15448/1984-6746.2025.1.46177
Páginas
e46177
Idioma
pt
2025Gustavo Bertoche Guimarães. O Silêncio de Bachelard: A recusa do político como ato político. Veritas (Porto Alegre), v. 70, n. 1, p. e46177, 2025.4

Gaston Bachelard passou a Primeira Guerra Mundial nas trincheiras e a Segunda Guerra Mundial na Sorbonne. No entanto, ao contrário de muitos outros filósofos franceses do seu tempo, nada escreveu sobre a situação política de suas circunstâncias. O objetivo deste artigo é explicar o surpreendente silêncio político de Bachelard. Em primeiro lugar, mostro que o seu pensamento engaja-se em dois campos: a epistemologia e a imaginação poética. Em seguida, demonstro, com Jean Libis e Michel Fabre, que é possível explicar a razão do seu silêncio epistemológico: a dimensão política da sua filosofia da ciência estaria inscrita nas suas reflexões sobre a cidade científica e o papel da escola na sociedade. Por fim, proponho uma hipótese original sobre a dimensão política da sua obra dedicada à imaginação poética: o seu silêncio político é, ele próprio, um ato político – e o caminho da liberdade não se encontra no mundo da ação entre os homens, mas no caminho da poesia.