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O Território do Conceito: lógica e estrutura conceitual na filosofia crítica de Kant.

Renato Duarte Fonseca

Tese
Autor
Renato Duarte Fonseca
Orientador(a)
João Carlos Brum Torres
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL — UFRGS
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2010
2010Renato Duarte Fonseca. O Território do Conceito: lógica e estrutura conceitual na filosofia crítica de Kant.. 2010. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, RS. Orientador(a): João Carlos Brum Torres.2

A caracterização kantiana da lógica é marcada pela distinção entre dois níveis de reflexão. À lógica geral concernem as regras que governam o pensamento per se, feita abstração da origem e do conteúdo de nossos conceitos e juízos, e atendo-se unicamente às formas de suas relações recíprocas. A lógica transcendental, por sua vez, considera as condições sob as quais seria possível uma cognição de objetos absolutamente independente da experiência, ou a priori. A despeito de seus registros distintos, porém, os pressupostos da lógica geral pura e da lógica transcendental devem mostrar-se mutuamente compatíveis – sob pena de lançar a visão kantiana do entendimento e da razão em um curto-circuito. A presente tese parte desse truísmo para examinar que espécie de concepção da estrutura da representação conceitual é capaz de satisfazê-lo. Trata-se de indagar que tipo de caracterização das dimensões próprias a qualquer conceito – sua extensão e seu conteúdo – pode harmonizar-se com compromissos teóricos assumidos por Kant, quer no tocante à sua compreensão da forma lógica do juízo, quer no que tange a seu projeto de justificar a possibilidade da cognição a priori. O primeiro capítulo examina a concepção kantiana da forma lógica do juízo como subordinação extensional de conceitos para, com isso, caracterizar o problema transcendental do sintético a priori nos seguintes termos: como é possível justificar a necessária subordinação da inteira extensão de um conceito à de outro, se este não está contido entre as notas que perfazem o conteúdo daquele? O segundo capítulo consiste na análise crítica de diferentes modelos interpretativos da concepção kantiana de extensão conceitual: o modelo ôntico, segundo o qual a extensão de um conceito é o conjunto de suas instâncias efetivas; o modelo nocional, segundo o qual a extensão de um conceito equivale ao complexo de seus inferiores por subordinação lógica; o modelo híbrido, que interpreta a concepção kantiana de extensão conceitual em termos da união das duas dimensões destacadas nos modelos anteriores, ou ainda atribui a Kant duas concepções distintas de extensão conceitual, correspondentes aos mesmos. Rejeitados esses modelos à luz dos compromissos teóricos das lógicas geral e transcendental, o terceiro capítulo apresenta um modelo alternativo da extensão de conceitos que satisfaz a condição de coerência entre estes, segundo o qual a extensão de um conceito é seu campo de aplicação possível. Com base na análise da distinção crítica entre possibilidade lógica e possibilidade real, e explorando algumas metáforas da Crítica da Razão Pura e da Crítica do Juízo, procura-se mostrar as consequências dessa interpretação para a compreensão da noção kantiana de conteúdo conceitual, as quais, sustenta-se, iluminam a significação da doutrina do esquematismo. ..Palavras-chave.Kant – lógica geral – lógica transcendental – extensão conceitual – conteúdo conceitua