- Autor
- Benito Eduardo Maeso, Tarik Vivan Alexandre
- Revista
- Artefilosofia
- Edição
- 14 / 27
- Ano
- 2019
- Páginas
- 42-61
- Idioma
- pt
Partindo da afirmação de Adorno de que os antagonismos não-resolvidos de uma sociedade retornam como problemas imanentes da forma das obras de arte em um determinado tempo, busca-se analisar o retorno e ressignificação de elementos visuais e sonoros do início dos anos 1980 na produção contemporânea, notadamente no vaporwave. Este gênero, ao exagerar a referência ao limite do caricato e da paródia, busca produzir uma nova experiência estética a partir da colagem de fragmentos e resíduos das experiências anteriores. A época revisitadaé a mesma na qual o neoliberalismo se estabelece em países hegemônicos, gerando a subjetividade yuppie, que tem no empresário Donald Trump seu símbolo maior. Porém, a contradição gerada pela crise neoliberal abriu espaço ao revivalde outra experiência cultural: o fascismo. Coincidentemente, os dois principais subgêneros do vaporwavesão o Trumpwave(que louva exatamente o maior símbolo desta mentalidade neoliberal) e o Fashwave(que tem como público principal grupos de ultradireita em escala mundial), produzindo uma estética híbrida entre os filmes Triunfo da Vontadee Tron. Com base nisso, seria possível analisar essa “arte de resíduo” como forma peculiar de lidar tanto com a frustração pelo colapso do neoliberalismo como com seu assemelhamento com o fascismo?
