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Os escravos sem senhores e os senhores sem escravos ou apontamentos sobre o sistema jagunço

Caio Paz

Autor
Caio Paz
Revista
Cadernos de Ética e Filosofia Política
Edição
44 / 2
Ano
2025
DOI
10.11606/issn.1517-0128.v44i2p%p
Páginas
149-162
Idioma
pt
2025Caio Paz. Os escravos sem senhores e os senhores sem escravos ou apontamentos sobre o sistema jagunço. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v. 44, n. 2, p. 149-162, 2025.2

O artigo estabelece um diálogo entre o pensamento de Achille Mbembe e a noção de “sistema jagunço” como instrumento analítico para interpretar as novas formas de dominação e subjetivação no Brasil contemporâneo. Defende-se que a ascensão do bolsonarismo implicou uma inflexão nesse sistema, ao conferir autonomia aos antigos executores da violência em nome das elites, agora protagonistas de uma política identitária marcada pela violência e pelo racismo explícito. Esse deslocamento revela a superação do mito da democracia racial e a emergência de uma nova racionalidade política, cujos contornos podem ser compreendidos à luz das formulações de Mbembe sobre o “devir-negro do mundo” e a produção de “escravos sem senhores e senhores sem escravos” como expressão da reconfiguração do capitalismo e da subjetividade no século XXI.