Os Espíritos da Yãkoana: Ontologias, Fenomenologias e Epistemologias nas Palavras de um Xamã Yanomami
Jan Clefferson Costa de Freitas
- Autor
- Jan Clefferson Costa de Freitas
- Revista
- Polymatheia - Revista de Filosofia
- Edição
- 18 / 3
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.52521/poly.v18i3.16022
- Páginas
- e25034
- Idioma
- pt
Este artigo tem por meta apresentar uma análise e descrição das ontologias, fenomenologias e epistemologias dos indígenas yanomami a partir das palavras de Davi Kopenawa – transcritas por Bruce Albert e publicadas por ambos em A Queda do Céu. Desde a perspectiva de Kopenawa, a agência, a intencionalidade e a inteligência não são atributos apenas dos seres humanos, mas de todas as formas de vida; além disso, para ele, os fenômenos extáticos e oníricos abrem as portas de acesso à verdadeira realidade, onde as plantas, os animais e os espíritos da floresta podem ser não objetos, mas sujeitos do conhecimento. Nesse sentido, através de uma metodologia analítico-descritiva que coaduna apreciação fenomenológica, ação participativa, investigação bibliográfica, leitura hiperfocada, diálogos interculturais, abordagem hermenêutica, pensamento crítico e escrita criativa sobre as ideias articuladas, nós pretendemos responder a seguinte pergunta: em que medida a yãkoana – planta mestra utilizada por Kopenawa em rituais xamânicos – possibilita o acesso fenomenológico a múltiplos planos de existência, resgata a memória do saber ancestral e salvaguarda a cosmopercepção yanomami? Uma vez colocada a questão-diretriz do trabalho, os resultados esperados a partir desta incursão contra-colonial são: [a] elucidar como a natureza pode ser uma professora; [b]; compreender a pluralidade de criaturas além-humanas que interagem com os xamãs; e [c] justificar a pertinência filosófica da experimentação enteogênica. A título de síntese, nós idealizamos demonstrar, nas próximas linhas, uma parte do que as palavras de Kopenawa têm a dizer de significativo para os estudos decoloniais e filosofias psicodélicas.
