Os limites da linguagem dos direitos do homem na França revolucionária - o caso das declarações endereçadas à Assembleia Nacional e dos panfletos de Olympe de Gouges (1789-1791)
Roberta Soromenho Nicolete
- Autor
- Roberta Soromenho Nicolete
- Revista
- Cadernos de Ética e Filosofia Política
- Edição
- 44 / 2
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.11606/issn.1517-0128.v44i2p68-81
- Páginas
- 68-81
- Idioma
- pt-BR
O artigo investiga a participação política das mulheres mediante declarações, petições e moções endereçadas à Assembleia Constituinte ou diretamente ao povo, mediante panfletos, em especial, os de Olympe de Gouges. O objetivo central é mostrar a ambivalência da linguagem dos direitos e da natureza, referenciais da política moderna, nestes documentos elaborados nos acontecimentos de 1789 a 1791. O meu objetivo secundário é dar contornos às estratégias textuais de intervenção das mulheres na busca por legitimidade de sua atuação política. Isso importa, pois a Revolução não se fez sem a invenção de uma eloquência específica para o espaço público então nascente. À primeira vista, poderia parecer que, neste material analisado, é efetuado o corte que a teoria política recrudesceu entre o mundo privado e o mundo público, a natureza e o político, a mulher cidadã dissociada das relações do meio familiar, involuntário e vinculado à sobrevivência. Todavia, o argumento é o de que a complexidade da escrita destas mulheres está no embaralhamento de tais categorias. Conclui-se mostrando a pertinência de uma abordagem histórica em teoria política para a análise rigorosa dos conceitos constitutivos dos referenciais da política no presente.
