- Autor
- Tessa Moura Lacerda
- Revista
- Perspectivas
- Edição
- 8 / 2
- Ano
- 2023
- DOI
- 10.20873.rpv8n2-82
- Páginas
- 218-235
- Idioma
- pt
Lélia Gonzalez, filósofa feminista negra brasileira, em texto publicado em 1982 relativiza a narrativa histórica dominante, que denomina “história oficial”, segundo a qual o brasileiro é cordial e nossa história, um modelo de soluções pacíficas de conflitos. As palavras de Lélia Gonzalez ressoam de maneira impressionante palavras de Marilena Chauí em texto do mesmo período. A sociedade brasileira, dirá Marilena Chauí, é fundamentalmente autoritária e violenta. Mas há uma história de resistência, uma história que não foi escrita. Gostaríamos de refletir sobre esse jogo entre a dominação de uma história oficial e a resistência de uma história não escrita, abarcando não apenas a questão negra, mas também a ditadura brasileira de 1964-85 – neste caso, a partir das reflexões recentes de Heloísa Starling, Newton Bignotto e Miguel Lago sobre o governo de Jair Bolsonaro, herdeiro direto da ditadura. Se a história brasileira não escrita é uma história de luta e resistência de minorias, como entender este momento de crise da democracia que vivemos hoje? A resistência cultural passiva é suficientemente forte para conseguirmos escapar do autoritarismo em seu estado mais brutal?
