- Autor
- Carla Milani Damião
- Revista
- Revista Ideação
- Edição
- 1 / 52
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.13102/ideac.v1i52.12368
- Páginas
- 44-58
- Idioma
- pt
Partimos de uma reflexão crítica sobre a Estética, tendo em vista perspectivas feministas e decoloniais, com destaque para o conceito de cosmoestética de Paula Fleisner e a teoria de Monique Roelofs. Esta autora propõe uma revisão da Estética moderna considerando as dimensões relacional, racial e de gênero, enquanto Fleisner elabora o conceito de “cosmoestética”, que articula materialidades relacionais com práticas artísticas e cosmologias diversas. Pretendo inserir-me nesse debate ao desenvolver a ideia de “imagem sonora”, inspirada por experiências com imagens, sons e cosmologias indígenas. A sonoridade, nesses contextos, não é secundária à imagem, mas forma com ela um limiar de indissociabilidade perceptiva. No artigo, problematizo o termo “audiovisual” e resgato a transformação do sensível a partir da técnica, destacando que, embora a reprodução técnica do som tenha alterado nossa forma de escuta, sua proposta de imagem sonora vai além dos meios tecnológicos. Essa proposta dialoga com autores como Tim Ingold, ao articular audição, visão e movimento na percepção do mundo. Assim, o texto propõe uma escuta sensível e filosófica que une estética, antropologia e modos outros de existência, especialmente os provenientes de povos originários e de epistemologias feministas.
