- Autor
- Aline Matos da Rocha
- Revista
- Griot : Revista de Filosofia
- Edição
- 26 / 2
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.31977/grirfi.v26i2.5788
- Páginas
- 351-363
- Idioma
- pt
Este artigo investiga a (enunci)ação filosófica dos nomes iorubás a partir do pensamento da filósofa iorubá Oyérónkẹ́ Oyěwùmí, que compreende o nome não apenas como mera expressão linguística ou uma palavra com a qual se designa pessoas e coisas, mas a exteriorização que determina e situa o ser no seu contexto familiar, genealógico, ancestral e social. Oyèrónkẹ́ Oyěwùmí destaca que, antes da colonização britânica, a sociedade Oyó-iorubá não se organizava por meio de gênero, mas de senioridade. Consequentemente, nomes, pronomes, substantivos, atividades, funções e termos designativos de características não apresentavam marcações generificadas. A emergência de nomes generificados é entendida tanto como reflexo dos processos coloniais que transformaram modos de pensar e práticas sociais quanto como indicador da ocidentalização. Processo que exerceu profundo impacto sobre os povos iorubás e suas práticas de nomeação. Metodologicamente, o artigo dialoga com referências da filosofia africana ao sustentar que a reflexão sobre os nomes constitui um campo fecundo para a ampliação do horizonte conceitual da própria filosofia.
