- Autor
- Gabriel Lemes de Souza
- Revista
- Artefilosofia
- Edição
- 20 / 40
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.69640/raf.v20i40.8383
- Páginas
- 20-20
- Idioma
- pt
Este artigo propõe uma análise da paisagem mineira como um arquivo vivo e dinâmico, investigando como a arte rupestre atua como dispositivo de memória e construção de narrativas em três contextos distintos. Inicialmente, aborda-se o caso de São Thomé das Letras, onde a apropriação colonial e religiosa ressignificou grafismos indígenas, transformando-os em relíquias sagradas cristãs para legitimar a posse do território. Em seguida, examina-se a perspectiva do povo Krenak no Vale do Rio Doce, demonstrando como os sítios arqueológicos são reatualizados não como ruínas, mas como moradas de “encantados” e ferramentas de resistência política e identidade étnica. Por fim, o estudo recua à antiguidade da Tradição Planalto na região de Diamantina, com foco na Lapa das Piabas. Através da relação entre os grafismos e o meio ambiente (o Rio Preto), investiga-se a “escrita original” de caçadores-coletores-pescadores como uma crônica da intimidade com os ciclos da natureza. Conclui-se que tais narrativas – a mítica, a política e a ecológica – sobrepõem-se, conferindo à geografia física a espessura simbólica da paisagem.
