PAULO FREIRE E ANTONIO GRAMSCI: DIÁLOGOS SOBRE EMERSÃO, TRANSITIVIDADE E CONSCIÊNCIA FILOSÓFICA
Alexandre Reinaldo Protásio, Neiva Afonso Oliveira
- Autor
- Alexandre Reinaldo Protásio, Neiva Afonso Oliveira
- Revista
- Revista Dialectus
- Edição
- 38 / 38
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.36517/2025n38id96516
- Páginas
- 29-50
- Idioma
- pt
O presente artigo aborda as categorias de emersão, consciência transitiva ingênua e consciência crítica (inserção), em Paulo Freire, e bom senso e consciência filosófica, de Antonio Gramsci. Trata-se de momentos de transitividade e emersão popular. Seu objetivo é enriquecer o debate acadêmico sobre a unidade dialética entre objetividade e subjetividade. Ao aproximar as categorias freirianas e gramscianas, nota-se que os autores em estudo consideram a autoconstrução das consciências críticas pela massa popular como um processo complexo, sujeito a retrocessos, saltos e avanços lentos. E mesmo as conquistas sociais mais significativas para os(as) oprimidos(as) podem representar apenas estágios intermediários de um processo histórico com maior potencial humanizador. Por fim, conclui-se que os fatos recentes confirmam as teses freirianas e gramscianas sobre a necessidade histórica de um movimento filosófico-cultural, tendo como fundamentos a práxis das classes populares e dos seus intelectuais. Um movimento filosófico-cultural que produza uma nova concepção de mundo e de humanidade, novos senso comum e bom senso; uma consciência crítica, histórica, autônoma e insertada, que supere a "aderência" do "eu oprimido" ao "tu opressor”. Nesse processo, a educação tem papel fundamental, pois assim como já provou ser um instrumento eficiente/eficaz na produção do movimento oposto (o “bancarismo”), por meio da acomodação, do apassivamento, do conformismo, do mutismo, do imobilismo, também pode ser um dos vários instrumentos de luta da classe social em movimento.
