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Perseveração, conservação e destruição: o estatuto da essência modal na Ética de Espinosa

NELMA GARCIA DE MEDEIROS

Tese
Autor
NELMA GARCIA DE MEDEIROS
Orientador(a)
RAUL FERREIRA LANDIM FILHO
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2005
2005NELMA GARCIA DE MEDEIROS. Perseveração, conservação e destruição: o estatuto da essência modal na Ética de Espinosa. 2005. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): RAUL FERREIRA LANDIM FILHO.4

Análise da essência modal na Ética de Espinosa, partindo de sua dupla definição como perseveração no ser e resistência à destruição por causas exteriores. Trata-se do conceito de conatus, que é essência de uma coisa singular existente em ato. A partir daí, discute-se a noção de coisa singular, levando em consideração a concepção espinosista de essência causante (essentia actuosa), válida tanto para o entendimento da substância quanto do modo finito que é o homem. A análise da essência modal parte da causalidade imanente, que explica a coisa singular como efeito imanente da substância, e da causalidade transitiva, que explica a coisa singular como efeito das relações entretidas entre os modos na existência em ato. A definição do conatus como poder de afetar e ser afetado que daí resulta é a base para a problematização de diversos aspectos da essência modal, culminando na questão da perseveração e destruição por causas exteriores. É proposta uma concepção de indivíduo, qualquer que seja o grau de complexidade de sua composição, como efeito do poder de afetação à medida que efeito da comunicação existente entre suas partes constituintes, considerando que todas as coisas convêm por serem expressões de uma única e mesma substância. Donde a problemática noção de exterioridade na Ética, em um regime ontológico em que não há heterogeneidade entre 'interno' e 'externo'. A destruição por causas exteriores é interpretada como transformação, restando um sentido inassimilável de destruição, exemplificado pelo suicídio e pela anorexia. A concepção espinosista de sabedoria responde pelo entendimento e exercício do que seja transformação, culminando no conhecimento da comensurabilidade entre a substância (Deus) e o modo finito (homem), onde ficam indiscerníveis eternidade e duração, essência e existência, imanência e transitividade.