- Autor
- Meline Costa Sousa
- Revista
- Revista Archai
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.14195/1984-249X_35_27
- Páginas
- e03527
- Idioma
- pt
Neste artigo, apresento uma discussão historiográfica sobre o neoplatonismo árabe, analisando alguns pressupostos assumidos pelos estudiosos desde a segunda metade do século XIX. A partir das edições das obras e dos estudos subsequentes, consolidou-se a distinção entre o corpus plotiniano em árabe, o Plotiniana Arabica, e o corpus procleano em árabe, o Procleana Arabica, segundo o modo como se entendeu a relação entre os textos escritos em árabe e suas fontes gregas. Contudo, tendo em vista os estudos recentes, diferentes pressupostos e metodologias vêm sendo assumidos. Dada a complexidade da discussão, neste texto, restringir-me-ei à análise de duas obras originalmente escritas em árabe, a dizer, a Teologia de Aristóteles e o Discurso Sobre o Bem Puro, mais conhecido como Liber de Causis. O objetivo da análise que se segue é, partindo da crítica a dois pressupostos historiográficos tradicionalmente aceitos, a dizer, que as duas obras são versões de textos gregos e que contêm teorias metafísicas distintas, analisar como as abordagens recentes nos permitem uma compreensão mais unificada da natureza dos textos que compõem o corpus neoplatônico árabe. Uma das consequências da distinção entre o Plotiniana Arabica e o Procleana Arabica é engessar os textos em modelos filosóficos que são diferentes daquele encontrado nas próprias obras.
