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“Por quê olhar os animais?” Ética da alteridade e animalidade em John Berger

Mateus Uchôa

Autor
Mateus Uchôa
Revista
Griot : Revista de Filosofia
Edição
22 / 3
Ano
2022
DOI
10.31977/grirfi.v22i3.3017
Páginas
183-194
Idioma
pt
2022Mateus Uchôa. “Por quê olhar os animais?” Ética da alteridade e animalidade em John Berger. Griot : Revista de Filosofia, v. 22, n. 3, p. 183-194, 2022.2

Em seu texto Por quê olhar os animais?, John Berger comenta como a metáfora animal foi um recurso indispensável para revelar uma proximidade entre as espécies, e que sem o exemplo de animais seria improvável, por exemplo, descrever eventos como aqueles narrados por Homero n’A Iíada. A correlação entre vidas semelhantes e heterogêneas permitiram aos seres humanos, inspirados pelos animais, darem respostas às primeiras perguntas. É razoável afirmar que a primeira metáfora tenha sido a do animal, como um modo de partilhar o mundo que lhes era comum e diferente. Mas nossa relação com os animais não-humanos também contém contradições; a criação do zoológico representou a elevação de um monumento à impossibilidade  de qualquer reencontro com  a animalidade. Em vez de liberados, os animais foram capturados por outras categorias políticas. Para John Berger as ambiguidades permanecem “Eles são os objetos de nosso conhecimento sempre crescente. O que sabemos sobre eles é um índice de nosso poder, e assim é um índice do que nos separa deles. Quanto mais sabemos, mais distante eles ficam.”