- Autor
- Leopoldo Gabriel Thiesen
- Orientador(a)
- Luiz Benedicto Lacerda Orlandi
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2006
Para a interpretação naturalista, o acontecimento humano, como quaisquer outras dimensões do acontecimento, se dá plenamente na imanência de um devir indeterminado. Sendo assim, também os valores e a regulamentação moral jamais alcançam fixação definitiva. Tal condição requer, em contrapartida, uma permanente criação ética, através da qual os valores sejam constantemente afirmados na transitoriedade do acontecimento, como gênese ativa de sentido. Constituindo a natureza em si um caos de forças livres, qualquer organização funcional ou unidade estruturada depende de um arranjo de forças, de uma composição. O acontecimento biológico resulta de hábitos organizacionais longamente experimentados, porém jamais estruturados de forma necessária. Também o acontecimento humano resulta de hábitos interpretativos de caráter ontológico, no sentido de que qualquer modo de ser constitui já sempre uma interpretação, mais ou menos contingente, da própria natureza. Para uma perspectiva ético-estética importam, sobretudo, os processos como modos através dos quais se efetivam tais composições. Assim, as composições afirmam o ser em devir diferencial intensivo. Ou seja, o ser se reitera em repetições diferenciais, introduzindo rupturas na mesma medida em que sustenta continuidades, num processo de durações e variações permanente. Sendo assim, os valores éticos passam a ter como única referência a manutenção e intensificação dos dinamismos vitais. Por isso mesmo, para se sustentar na repetição ativa dos dinamismos vitais, precisam ser constantemente afirmados e transformados neste processo de diferenciação complexa.
