- Autor
- Maria Aparecida de Paiva Montenegro
- Orientador(a)
- Osmyr Faria Gabbi Júnior
- Universidade
- UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS — UNICAMP
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 1998
O presente estudo consiste em um exame das importações da introdução do conceito de pulsão de morte na teoria freudiana, pensada como uma teoria dos atos irracionais. Orienta-se pelo trabalho de Kimmerie (1988) acerca de """"Para além do Princípio de Prazer"""", segundo o qual a pulsão de morte constituiria tão-somente um ponto de convergência de contradições que se acumulariam desde as origens da metapsicologia. Nessa perspectiva, este estudo, empreende uma investigação de escritos freudianos de cunho metapsicológico, selecionados no período que abrange desde as formulações pré-psicaniliticas até a apresentação da segunda tópica do aparelho psíquico. Mediante esse percurso, realiza um rastreamento das possíveis contradições intrínsecas ao projeto teórico de Freud e identifica o cerne das aporias na tradição empirista herdada pelo fundador da psicanalise. Mais precisamente, na concepção de que a descrição dos processos psíquicos deve remontar à origem a partir da qual esses processos teriam sido construídos. À luz dessa concepção, à ordem empírica dos acontecimento originários do psiquismo adquire uma importância fundamental, uma vez que o primeiro evento seria determinante da meta a ser perseguida pelo funcionamento mental. Nesse caso, contrariamente a indistinção proposta por Freud, fugir do desprazer e buscar o prazer constituiriam metas diferenciadas, de tal maneira que a anterioridade da primeira em relação à segunda implicaria a precedência da realidade sobre o prazer. Afim de manter a tese central da psicanálise - a ascendência do inconsciente sobre a consciência - freud tentaria mostrar que o desprazer associado aos transtorno psicopatológicos remontaria a um prazer anterior, interditado pela repressão. No entanto, ao invés do prazer, a gênese dos processos psíquicos envolveria um desprazer ainda mais originário, o que o faria recuar essa origem cada vez mais, até chegar à formulação da pulsão de morte. Com esta pulsão, a origem do psiquismo seria conduzida para além dos limites da experiência, de onde não seria mais possível recuar. À medida que as contradições são evidenciadas em todos os modelos metapsicológicos formuldos por Freud, conclui-se que seria errôneo supor que a noção de racionalidade sbjacente a essa teoria ficaria comprometida a partir da formulação dessa nova pulsão. Antes, essa noção estaria comprometida desde o início, uma vez que não pareceria consistente propor que a racionalidade (consciência) seria fundada sobre uma base psíquica não-racional (o inconsciente).
