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Razão e Nostalgia - :

Enrique Menezes

Autor
Enrique Menezes
Revista
Artefilosofia
Edição
2 / 2
Ano
2007
Páginas
117-126
Idioma
pt
2007Enrique Menezes. Razão e Nostalgia - : . Artefilosofia, v. 2, n. 2, p. 117-126, 2007.2

Em relação aos problemas estéticos da fi losofi a da arte em geral, a música sempre se desenvolveu com certa autonomia. Sua afi nidade semântica com as outras artes sempre foi delicada e problemática, fazendo com que, na história da estética, ela oscilasse entre os extremos da “hierarquia” das artes. Tal particularidade ocorre porque a música sempre carregou um status próprio, conseqüência, principalmente, de dois problemas: a alta complexidade dos meios técnicos com os quais se realiza e a impossibilidade de expressar fatos racionais da linguagem cotidiana. A discussão acerca da superioridade ou inexpressividade da música como expressão artística pode ser colocada também em linhas gerais através da dicotomia racionalidade/irracionalidade: valorizada em seu caráter assemântico e não conceitual ela estaria no topo das artes, mas, no entendimento racional, ela cai para o último. Independente da opinião de tal ou qual autor no que diz respeito à expressividade da música como linguagem artística, essa discussão nos permite identifi car qual é o seu lugar na história do pensamento racional, bem como interpretar essa racionalidade partindo de um objeto que é tanto altamente racional (sua complexidade técnica) quanto nãoconceitual (sua assemanticidade).