RAZÃO E PSICANÁLISE – “O CASO SCHREBER (FREUD,1911)”, REVISITADO A PARTIR DAS CONTRIBUIÇÕES DE MARCIA CAVELL E LUDWIG WITTGENSTEIN
Ney Couto Marinho
- Autor
- Ney Couto Marinho
- Orientador(a)
- Danilo Marcondes de Souza Filho
- Universidade
- PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO — PUC-RIO
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2006
Esta tese representa a segunda parte da pesquisa: Razão e Psicanálise. A pesquisa tem por objetivo investigar, no âmbito do contemporâneo debate epistemológico anglo-saxão, os fundamentos epistemológicos da teoria psicanalítica e se a mesma se apresenta como um competente instrumento de investigação para o fenômeno da loucura. A primeira parte da tese corresponde a um resumo atualizado de diversas avaliações filosóficas da psicanálise, na tradição em que se desenvolve a pesquisa. São apresentadas as avaliações de: Karl Popper, Adolf Grünbaum, Gregório Klimovsky e a crítica e alternativa de Larry Laudan acerca dos impasses da epistemologia anglo-saxã. Segue-se a avaliação de Marcia Cavell, já no âmbito da moderna filosofia da linguagem, iniciando-se assim a segunda parte da pesquisa. Em seguida discutimos: Wittgenstein e a Psicanálise – sua complexa relação com a proposta freudiana, seu entusiasmo e crítica. Fazemos uma avaliação própria da contribuição de Wittgenstein, articulando-a com um desenvolvimento da psicanálise: a teoria de relações de objeto. Dentro desta, tomamos a vertente kleiniana como referencial e, em particular, as contribuições de W. R. Bion. O Caso Schreber (Freud,1911) é apresentado e discutido como um estudo de caso, com o objetivo de avaliar a validade das noções filosófica e psicanalíticas expostas anteriormente; especialmente as noções de irracionalismo interno (em Cavell) e as de formas de vida e certeza (em Wittgenstein). A tese propõe que se veja o delírio (como paradigma da loucura) como: uma bizarra forma de vida, sugerindo também alguns candidatos a invariantes para o fenômeno da loucura nos diversos contextos. . Discutimos sumariamente a relação: “terapia filosófica” e psicanálise. A tese tem como pano de fundo o que se denominou: a “crise da psicanálise”, a qual inserimos em outra, mais ampla e de longa duração: a “crise da modernidade”. A tese privilegia a dimensão clínica do projeto psicanalítico, propondo novas perspectivas para o mesmo, sobretudo, através de sua dimensão de crítica da cultura, chamando a atenção para os dois aspectos – clínico e cultural – na obra de Freud e a importância de estabelecer suas diferenças e relações.
