Voltar para Artigos
Artigos

RAZÃO POÉTICA E EXPERIÊNCIA AMOROSA:: A FIGURA DE HELOÍSA NO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE MARÍA ZAMBRANO

Solange Aparecida de Campos Costa, Doriane de Araújo Chaves, Dayana Mendes Lopes

Autor
Solange Aparecida de Campos Costa, Doriane de Araújo Chaves, Dayana Mendes Lopes
Revista
Problemata - Revista Internacional de Filosofia
Edição
17 / 1
Ano
2026
DOI
10.7443/problemata.v17i1.78889
Páginas
367-381
Idioma
pt
2026Solange Aparecida de Campos Costa, Doriane de Araújo Chaves, Dayana Mendes Lopes. RAZÃO POÉTICA E EXPERIÊNCIA AMOROSA:: A FIGURA DE HELOÍSA NO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE MARÍA ZAMBRANO. Problemata - Revista Internacional de Filosofia, v. 17, n. 1, p. 367-381, 2026.2

Este artigo analisa a interpretação que a filósofa espanhola María Zambrano (1904-1991) elabora das cartas amorosas de Heloísa de Argenteuil (c.1090-1164) a Pedro Abelardo, no século XII.  A metodologia adotada é de natureza teórico-bibliográfica, fundamentando-se na análise do ensaio zambraniano "Eloísa ou a presença da mulher" (1945), em diálogo com as cartas de Heloísa, com outros textos de Zambrano e com a fortuna crítica especializada. A partir das cartas, Zambrano problematiza as expectativas sociais e os papéis de gênero, criticando a tradição filosófica ocidental que confinou a mulher a uma existência metafísica, idealizada e dissociada da experiência concreta. Em contraposição às figuras da donzela e da bruxa, Heloísa emerge como uma forma singular de existência, que rompe com tais modelos ao afirmar sua experiência por meio da palavra. Os resultados evidenciam como, nas cartas, o amor deixa de ser só um sentimento para se constituir como via de conhecimento, deslocando os limites impostos à subjetividade feminina. Dentro da compreensão zambraniana, os textos de Heloísa configuram-se como um ponto de interseção e de articulação entre experiência amorosa, pensamento e vida.