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Relendo "O Processo" de Kafka como a Manifestação de uma Patologia Social

Ronaldo Filho Manzi

Autor
Ronaldo Filho Manzi
Revista
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea
Edição
6 / 2
Ano
2019
DOI
10.26512/rfmc.v6i2.22107
Páginas
153-180
Idioma
pt
2019Ronaldo Filho Manzi. Relendo "O Processo" de Kafka como a Manifestação de uma Patologia Social. Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, v. 6, n. 2, p. 153-180, 2019.3

Esse texto busca retomar, primeiramente, a leitura de Agamben de "O processo" de Kafka. Sua proposta é que o personagem, Joseph K., realiza uma autocalúnia. Agamben sugere que tal autocalúnia é o que cada homem realiza de si ”“ daí o interesse nesse tema. Seguindo a análise de Agamben, vemos que se trata de uma justificação do culpado perante à lei (como se o direito fosse a forma moderna de redenção de uma culpa). A proposta desse ensaio é interpretar a obra de Kafka por outra via. Pretende-se mostrar que é o social que faz com que K. assuma uma culpa (não havendo, portanto, uma autocalúnia). Nesse caso, haveria uma passagem de uma capacidade de o sujeito duvidar da legitimidade do processo à sua aceitação incondicional ”“ como se o social o levasse a perder essa capacidade de dúvida. Daí porque se dirá de  uma patologia do social: uma sociedade que “adoece” o indivíduo.