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Religião, política e ordem social nos Atos Apócrifos dos Apóstolos

José Adriano Filho

Autor
José Adriano Filho
Revista
Antíteses
Edição
8 / 16
Ano
2016
DOI
10.5433/1984-3356.2015v8n16p71
Páginas
71-88
Idioma
pt
2016José Adriano Filho. Religião, política e ordem social nos Atos Apócrifos dos Apóstolos. Antíteses, v. 8, n. 16, p. 71-88, 2016.3

Os Atos Apócrifos dos Apóstolos recontam a tradição dos apóstolos e suas façanhas públicas. Os apóstolos são apresentados em constante conflito com o mundo à sua volta. Eles demonstram o poder do único Deus verdadeiro por meio de milagres, ascetismo e martírio. O cristianismo que eles representam contrasta com as crenças e poder do mundo greco-romano. Esta instância antissocial é reforçada pela mensagem de castidade anunciada pelos apóstolos, a qual interrompe o casamento, e nos conflitos com as autoridades civis e religiosas. Eles têm preocupações apologéticas, missionárias e de edificação, mas rejeitam os ideais culturais e sociais tradicionais em favor de novos ideais. Os Atos Apócrifos também refletem a rede do patronato social e político contemporâneo do Império romano. Eles redefinem o patronato de uma perspectiva cristã e desafiam o sistema estabelecido ao apresentar a Cristo como o verdadeiro patrono, superior aos patronos humanos, incluindo o imperador. A tentativa de reformular as pressuposições estabelecidas é uma característica que define a identidade cristã representada nesta literatura.