- Autor
- Laíssa Ferreira
- Revista
- Cadernos de Ética e Filosofia Política
- Edição
- 44 / 2
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.11606/issn.1517-0128.v44i2p117-131
- Páginas
- 117-131
- Idioma
- pt-BR
O artigo examina a concepção de liberdade elaborada por Angela Davis a partir da experiência histórica da mulher negra na luta contra as múltiplas formas de opressão. Em contraposição à tradição filosófica ocidental, que define a liberdade como um atributo universal e abstrato, Davis propõe compreendê-la como um processo histórico e coletivo de libertação, forjado nas práticas cotidianas de resistência. A mulher negra, ao organizar redes de cuidado, solidariedade e insubmissão, torna-se sujeito fundante dessa nova formulação do conceito. A análise percorre as obras produzidas por Davis entre o fim da década de 1960 e o início da década de 1970, evidenciando como sua filosofia articula teoria, prática e militância, a partir de uma crítica radical à criminalização da resistência e à ordem social que sustenta a exclusão. Ao deslocar a liberdade de seu registro abstrato para a experiência concreta de quem historicamente teve esse direito negado, Davis propõe uma filosofia da libertação enraizada na práxis insurgente das mulheres negras.
