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Ressonâncias e ontologias outras: pensando com o pensar bantu-kongo

Tiganá Santana Neves Santos

Autor
Tiganá Santana Neves Santos
Revista
Trans/Form/Ação
Edição
45 / Special
Ano
2022
DOI
10.1590/0101-3173.2022.v45esp.09.p149
Páginas
149-168
Idioma
pt
2022Tiganá Santana Neves Santos. Ressonâncias e ontologias outras: pensando com o pensar bantu-kongo. Trans/Form/Ação, v. 45, n. Special, p. 149-168, 2022.2

À luz de aspectos fundamentais do pensar bantu-kongo e em consonância com  pensadores contemporâneos, tais como Bunseki Fu-Kiau e Zamenga B., este artigo aspira a refletir acerca de ontologias distintas daquelas hegemônicas euro-ocidentais. Tais ontologias são vivenciadas em parte do continente africano e foram deslocadas para territórios afrodiaspóricos, como o Brasil, ainda que com adaptações, por meio de práticas cosmológicas que situam a ancestralidade em lugar central. As ideias de “mesmo pluriontológico” (conforme nós cunhamos com base hermenêutica na filosofia kongo), opacidade (a partir da sugestão teórica de Édouard Glissant), estágios do cosmograma kongo, vazio, transmutação, inclinação à outridade, ciência do feitiço, sistema, entes ecológicos, inter-ações propõem possibilidades complexas de ser-viver, em relação, que se distanciam, radicalmente, de metafísicas e éticas desenvolvidas no seio do pensamento ocidental, assim como podem com elas dialogar, o que faz com que, ao pensar do lado da margem afrodiaspórica do atlântico, consideremos as tensões entre esses distintos modos de pensar que ocupam espaços assimétricos nos construtos históricos.