- Autor
- Claudio A. Reis
- Revista
- Sapere Aude
- Edição
- 2 / 2
- Ano
- 2025
- DOI
- 10.5752/P.2177-6342.2025v2n2p267-279
- Páginas
- 267-279
- Idioma
- pt
O conceito de “contrademocracia”, tal como proposto por Pierre Rosanvallon em seus estudos sobre as “mutações da democracia”, mostra-se especialmente fértil para pensarmos não só alguns desenvolvimentos da história da democracia nas últimas décadas, mas também, mais geralmente, para pensarmos alguns aspectos da própria autoridade democrática. A partir de um retorno a Rousseau e sua teoria da soberania, que é a primeira grande teoria política moderna sobre a democracia, este texto pretende discutir (1) se a consciência dessa dimensão “contrademocrática” do exercício da soberania popular já estava presente na teoria rousseauniana e (2) se essa teoria contém elementos que compensem o risco de deriva da contrademocracia em direção ao que Rosanvallon chama de “impolítico”. Vai-se tentar mostrar que essas duas indagações podem ser respondidas afirmativamente: a reflexão de Rousseau sobre a agência democrática leva em conta sua complexidade, ao mesmo tempo em que, ao situá-la em um contexto específico, oferece elementos que corrigem ou refreiam determinados potenciais de risco associado sobretudo com a atividade contrademocrática.
