- Autor
- Thiago Vargas
- Revista
- Revista Kriterion
- Edição
- 63 / 153
- Ano
- 2023
- Idioma
- pt
A partir do envio de documentos e troca correspondências realizados entre o capitão corso Matteo Buttafoco e Rousseau, que culminará com um plano de governo para a Córsega escrito pelo filósofo, esse artigo pretende analisar uma dimensão pouco explorada da filosofia rousseauniana: a relação de conveniência que o Projeto de constituição para a Córsega estabelece entre os sistemas econômicos e as formas de governo, em especial a democracia. Para isso, conjugaremos também uma análise entre o texto final e alguns trechos dos manuscritos e cadernos de trabalho, a fim de ver como os elementos característicos da economia política moderna – como a questão da demografia populacional, do território, da agricultura, do trabalho, dentre outros – são mobilizados por Rousseau para formar a ideia de “adequada economia do poder civil”. Lendo criticamente os argumentos de Buttafoco, fundados sobre um elogio ao comércio e que tinha como inspiração a noção de “república comerciante” preconizada por Montesquieu em Do espírito das leis, Rousseau se propõe a pensar a diversidade e a coabitação de sistemas econômicos diversos, sempre em relação aos governos e as peculiaridades de um povo, ou seja, cada sistema pode ser mais ou menos conveniente a uma dada situação histórica, política e social.
