Ser filósofo nas Luzes francesas: sobre o "verdadeiro filósofo" de Du Marsais
Paulo Jonas Lima Piva
- Autor
- Paulo Jonas Lima Piva
- Revista
- ethic@ - An international Journal for Moral Philosophy
- Edição
- 23 / 1
- Ano
- 2024
- DOI
- 10.5007/1677-2954.2024.e92933
- Páginas
- 70-93
- Idioma
- pt
No século XVIII, nascedouro do Iluminismo, mais precisamente no submundo francês dos manuscritos e livros clandestinos, um texto explicando em detalhes o que é ser um filósofo de verdade ‒ ou melhor, dado o contexto, explicando o que é ser um filósofo iluminista ‒, teve muitos leitores, o que chamou a atenção de vários intelectuais importantes da época, dentre eles D’Alembert e Voltaire, chegando a ganhar por sua celebridade uma segunda versão, condensada, porém, legalizada. Trata-se do texto do gramático, advogado e enciclopedista César Chesneau Du Marsais (1676-1756), ou Dumarsais, intitulado O verdadeiro filósofo, e que se popularizou como O filósofo. Concebido em 1730 e publicado em 1743, o texto foi transformado postumamente, no ano de 1765, no verbete “Filósofo” da Enciclopédia de Diderot e D’Alembert, até receber a sua última versão em 1796. É sobre esse documento das Luzes francesas menos comentado entre nós, mas muito conhecido na França absolutista, em particular da sua concepção de filósofo, que trata este artigo, no fundo, um desafio para pensarmos o que é ser iluminista no século XXI.
