- Autor
- Ricardo Barbosa
- Revista
- Sofia
- Edição
- 15 / 1
- Ano
- 2026
- DOI
- 10.47456/sofia.v15i1.52371
- Páginas
- e15152371-e15152371
- Idioma
- pt-BR
Schopenhauer concebeu a música como uma arte genuinamente metafísica e cosmopolita, pois acreditava que nela a Vontade ganharia voz numa linguagem universal e imediatamente compreensível. Sua metafísica da música é, porém, tão interessante quanto ambígua. Interessante, pois, entre outros aspectos, resiste às críticas à “estética do sentimento” realizadas por Hanslick, aproximando-se do seu “formalismo”. Ambígua, já que, por um lado, enquanto compreende a música em relação às demais artes, Schopenhauer tende a vê-la como uma arte mimética, cuja linguagem é tanto mais rica em significação quanto mais penetrante é sua referência ao mais íntimo das coisas. Por outro lado, enquanto compreende a música nela e por ela mesma, destacando sua autonomia e proximidade à filosofia, Schopenhauer tende a vê-la como uma arte epifânica, cuja linguagem é tanto mais expressiva quanto mais nos deixa ouvir a dinâmica mesma da Vontade. Porém, como Schopenhauer não distingue claramente entre significação e expressão, o problema da semântica musical, que ele julgara ter resolvido, resulta numa aporia insolúvel, perante a qual a metafísica sucumbe, sem, porém, arrastar consigo a própria música.
