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Sorte na vida: reinserindo a sorte, o acaso e a falha em nossas concepções éticas em busca de uma eliminação do deliberalismo

FERNANDO DA COSTA CARDOSO

Tese
Autor
FERNANDO DA COSTA CARDOSO
Orientador(a)
MARIA CLARA MARQUES DIAS
Universidade
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
Programa
FILOSOFIA
Grau
DOUTORADO
Ano
2012
2012FERNANDO DA COSTA CARDOSO. Sorte na vida: reinserindo a sorte, o acaso e a falha em nossas concepções éticas em busca de uma eliminação do deliberalismo. 2012. Tese (DOUTORADO em FILOSOFIA) — UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, RJ. Orientador(a): MARIA CLARA MARQUES DIAS.2

Qual a relação entre Ética e Sorte? Compreendendo essa questão como provendo um caminho para o núcleo da Ética, a presente tese procura reavaliar tal relação sustentando que não há o tipo de oposição entre esses dois importantes fenômenos de nossa vida. Tal oposição foi traçada na filosofia como uma muralha separando as noções centrais da Ética (noções como as de deliberação, caráter e plano de vida) daquelas relacionadas às limitações dos seres humanos como sua parcialidade, finitude, fraqueza de espírito, dentre outras. Contrariamente a essa visão, sugiro que, de fato, ambos os fenômenos estão relacionados com o modo que nossa cognição opera e, enquanto tal, que o processo normativo envolvido na Ética apenas pode ser compreendido se formos capazes de prover uma concepção de nós mesmos que não oponha essas coisas sendo parcial com uma dessas..As primeiras duas partes da tese tentam compreender porque os filósofos morais buscaram criar essa divisa entre o que depende de nós e o que não depende e porque a teoria ética foi pensada como dizendo respeito apenas ao voluntário. Usando uma série de conceitos filosóficos e psicológicos mostro que essa formulação indica uma má concepção fundamental: filósofos basearam suas teorias no que podemos criticar como uma má psicologia da normatividade baseada em noções como a de caráter que deve ser substituída por uma concepção mais sincrônica baseada na heurística que ocorre em nossas mentes. A parte final da tese apresenta os aspectos gerais de uma teoria ética capaz de lidar tanto com a Sorte quanto com a Ética enquanto fenômenos que compartilham um processo cognitivo comum e uma teoria ética que possa quebrar o que apontei como o paradoxo de Kierkgaard: """"a vida deve ser vivida para frente mas apenas pode ser compreendida para trás"""". Em tal teoria não apenas uma visão mais rica de nós mesmos será provida numa era que urge por ela, como uma melhor visão sobre nossa vida prática será alcançada.