- Autor
- Ana Cristina Reis Cunha
- Revista
- Griot : Revista de Filosofia
- Edição
- 16 / 2
- Ano
- 2017
- DOI
- 10.31977/grirfi.v16i2.778
- Páginas
- 67-80
- Idioma
- pt
A escalada vertiginosa da atividade económica global, acompanhada do crescente desenvolvimento tecnológico, ameaça gravemente o equilíbrio ecológico do nosso planeta, pelo que urge alterar o paradigma de prosperidade até agora vigente. Torna-se necessário adotar uma nova ética ambiental. Trata-se do que designamos pela ética do ‘cuidado’, na qual não está em causa apenas a preocupação pela continuidade da espécie humana, que nos manteria numa visão antropocentrista, mas também o valor intrínseco da natureza. Há que superar o esquema ‘sujeito-objeto’, e isso faz-se quando o homem se vê como ‘ser-no-mundo’, como elemento constitutivo deste. Uma prosperidade sustentável implicará a alteração do paradigma da velha economia baseada no crescimento incessante e desenfreado, movida pela inovação e pela ânsia de ascensão social com base na posse de bens materiais. Os recursos limitados e a impossibilidade de absorção, por parte do planeta, dos efeitos nocivos do crescimento, obrigam-nos a refrear este crescimento selvagem com vista a assegurarmos o futuro da humanidade.
