- Autor
- Letícia da Silva Bello
- Revista
- Voluntas: Revista Internacional de Filosofia
- Edição
- 16 / 2
- Ano
- 2025
- Idioma
- pt
Este artigo oferece uma análise da definição de raiva e sua instrumentalidade política, enquadrada naliteratura cognitivista sobre emoções. Analiso a crítica de Martha Nussbaum (2016), que afirma que araiva é contraprodutiva e que deve ser substituída por emoções positivas – o que eu chamo de‘proposta de substituição’. Esse tratamento que desconsidera a raiva assume conotações prejudiciaisquando direcionado a mulheres e pessoas negras, ao ressaltar estereótipos de gênero e raça. Emresposta a esse problema político, autoras como Myisha Cherry (2022) desenvolveram defesas da raiva,defendendo sua necessidade na luta contra o racismo e caracterizando-a como construtiva e positiva.No entanto, eu argumento que a defesa da raiva construtiva formulada por Cherry – chamada de ‘raivaLordeana’ – se alinha com a proposta de Nussbaum, pois ambas, em última análise, defendem a regulação da raiva em uma forma de emoção positiva. Eu argumento que há uma lacuna nas defesasda instrumentalidade da raiva, as quais não estão focando em um elemento-chave da raiva que époliticamente controverso e, ao mesmo tempo, imperativo: a agressividade.
