Transcendência e Participação - Uma Reflexão sobre a Relação entre Metafísica e Fenomenologia em Max Scheler.
FÁBIO MURAT DO PILLAR
- Autor
- FÁBIO MURAT DO PILLAR
- Orientador(a)
- GILVAN LUIZ FOGEL
- Universidade
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO — UFRJ
- Programa
- FILOSOFIA
- Grau
- DOUTORADO
- Ano
- 2012
Esta tese põe em questão o sentido do """"realismo"""" da concepção scheleriana da fenomenologia. Entendemos que esse sentido deve se depreender, tomando por noções condutoras as de """"participação"""" e de """"transcendência"""", de uma relação entre o modo de Scheler conceber a forma geral do saber, como participação, e como aparece para ele o fenômeno do emocional no homem. A partir da consideração dessa relação, nós conferimos ao referido """"realismo"""" o sentido de um alcance metafísico. O que significa esse """"alcance""""? Se em Scheler, a relação cognitiva do homem com a essência (como """"matéria"""" do ato intuitivo na redução fenomenológica) se caracteriza pelo fato de essa essência não ser nenhum conteúdo 'imanente' à consciência (como campo absoluto), e por isso ser irreprodutível e irredutível por ela (transcendência), o espírito humano não pode ter acesso ao seu conteúdo senão através de um já-estar-recolhido-no-ser, ou no fundamento-do-mundo, para estar no campo da experiência de um contato possível. Nós enfocamos, na sua filosofia, a esfera da emoção e seu lugar no arco da intencionalidade. Do ponto de vista de que as disposições e os atos que se fundam nela são originariamente determinantes para engendrar o vínculo do espírito à transcendência daquele ser, destacamos, dentre os fatores emocionais, a veneração e o ato do amor. Através destes, uma 'abertura' se instaura, pela qual o que o mundo guarda na sua profundeza, de constitutivo, desprende a sua fragrância e paira à visão espiritual, tendo assim integrado o centro pessoal dos atos na vida em que os conteúdos essenciais do mundo residem. Só por isso estes podem ser 'dados'. Tudo isso está muito em contraposição ao """"espírito do capitalismo"""", ou """"espírito burguês"""", caracterizado tipologicamente primeiro por Max Weber e Werner Sombart, espírito que elimina radicalmente de si todo liame vivente e amoroso entre o homem e o mundo, estando no cerne da sua dessacralização na história.
